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O que para a maioria das pessoas é apenas lixo ou um objeto comum, para quem sofre da síndrome de Pica pode se tornar uma vontade irresistível. Conhecida clinicamente como alotriofagia, essa condição leva indivíduos a ingerirem de forma compulsiva substâncias sem qualquer valor nutricional, como terra, gelo, tijolo, madeira, papel e até sabão.
Longe de ser uma dieta excêntrica ou uma fase passageira, a síndrome de Pica é um transtorno alimentar que acende um alerta vermelho para a saúde. Os riscos vão muito além da estranheza: intoxicações graves, obstruções intestinais e perfurações no sistema digestivo estão entre as complicações que podem transformar o problema em uma emergência médica.
O que leva uma pessoa a comer sabão ou tijolo?
As causas são variadas e, segundo especialistas, combinam fatores biológicos e emocionais. Deficiências graves de minerais como ferro e zinco estão entre os principais gatilhos, o que explica a incidência significativa do transtorno em gestantes, que enfrentam mudanças hormonais e maior demanda nutricional.
Mas não é só isso. Ansiedade, estresse extremo e outros transtornos mentais também podem se manifestar através desse comportamento compulsivo. A síndrome de Pica, portanto, pode ser a ponta de um iceberg que esconde desde carências nutricionais até sofrimento psicológico profundo.
Números que assustam
No Brasil, uma pesquisa recente acendeu o sinal de alerta entre a comunidade médica. O estudo revelou que, entre crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a presença da síndrome de Pica foi relatada em impressionantes 25% dos participantes.
Quando o estranho vira perigo
O alerta dos médicos é direto: familiares precisam ficar atentos. Se alguém próximo apresentar desejo recorrente por substâncias não alimentícias por mais de um mês, procurar ajuda não é exagero, é necessidade.
O diagnóstico precoce, seja para repor nutrientes em falta ou para tratar uma questão emocional latente, é o que separa uma simples excentricidade de um risco real à vida. Ignorar os sinais pode fazer com que um transtorno tratável se transforme em uma ameaça silenciosa e perigosa.
Natália Figueiredo - Portal SGC