Porto Velho (RO)09 de Março de 202618:31:24
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Saúde

SGC TV: O sabor proibido: como a Síndrome de Pica transforma veneno em vontade incontrolável

Você conseguiria resistir à vontade de comer um pedaço de tijolo? Para quem tem alotriofagia, esse impulso é real e incontrolável


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O que para a maioria das pessoas é apenas lixo ou um objeto comum, para quem sofre da síndrome de Pica pode se tornar uma vontade irresistível. Conhecida clinicamente como alotriofagia, essa condição leva indivíduos a ingerirem de forma compulsiva substâncias sem qualquer valor nutricional, como terra, gelo, tijolo, madeira, papel e até sabão.

Longe de ser uma dieta excêntrica ou uma fase passageira, a síndrome de Pica é um transtorno alimentar que acende um alerta vermelho para a saúde. Os riscos vão muito além da estranheza: intoxicações graves, obstruções intestinais e perfurações no sistema digestivo estão entre as complicações que podem transformar o problema em uma emergência médica.

O que leva uma pessoa a comer sabão ou tijolo?

As causas são variadas e, segundo especialistas, combinam fatores biológicos e emocionais. Deficiências graves de minerais como ferro e zinco estão entre os principais gatilhos,  o que explica a incidência significativa do transtorno em gestantes, que enfrentam mudanças hormonais e maior demanda nutricional.

Mas não é só isso. Ansiedade, estresse extremo e outros transtornos mentais também podem se manifestar através desse comportamento compulsivo. A síndrome de Pica, portanto, pode ser a ponta de um iceberg que esconde desde carências nutricionais até sofrimento psicológico profundo.

Números que assustam

No Brasil, uma pesquisa recente acendeu o sinal de alerta entre a comunidade médica. O estudo revelou que, entre crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a presença da síndrome de Pica foi relatada em impressionantes 25% dos participantes.

Quando o estranho vira perigo

O alerta dos médicos é direto: familiares precisam ficar atentos. Se alguém próximo apresentar desejo recorrente por substâncias não alimentícias por mais de um mês, procurar ajuda não é exagero, é necessidade.

O diagnóstico precoce, seja para repor nutrientes em falta ou para tratar uma questão emocional latente, é o que separa uma simples excentricidade de um risco real à vida. Ignorar os sinais pode fazer com que um transtorno tratável se transforme em uma ameaça silenciosa e perigosa.









Natália Figueiredo - Portal SGC


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