Porto Velho (RO)12 de Setembro de 202623:42:28
EDIÇÃO IMPRESSA
Saúde

SGC TV: 82% das famílias brasileiras estão endividadas: quando as contas adoecem a mente

No Setembro Amarelo, dados mostram que 29,9% dos consumidores têm contas em atraso e especialistas alertam para sintomas físicos e emocionais ligados


Imagem de Capa

Foto: Reprodução

PUBLICIDADE

O endividamento das famílias brasileiras atingiu 82% em agosto de 2026, completando sete meses consecutivos em nível recorde. A inadimplência — quando o consumidor tem contas em atraso — subiu para 29,9%. Entre os devedores, 12,5% afirmam não ter condições de quitar as pendências, o maior percentual desde fevereiro.

Os números são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O levantamento também mostra que 17,4% das famílias se consideram "muito endividadas".

A pressão é maior sobre quem ganha menos. Entre as famílias com renda de até três salários mínimos, 85,1% têm dívidas e 38,8% estão inadimplentes. "A fragilização financeira da base da pirâmide reflete a dependência do crédito para a manutenção do consumo básico e mantém o quadro de endividamento no patamar recorde", afirma o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.

O peso emocional das dívidas

O impacto do endividamento vai além do orçamento. Pesquisas indicam que problemas financeiros estão associados a sofrimento psicológico, dificuldades de sono e até pensamentos suicidas.

A psicóloga Milena Fidelis Campos explica como a ansiedade financeira se manifesta. "Pode gerar uma falta de sono, que é a insônia, pode gerar a falta de alimentação, a pessoa fica hipervigilante no sentido de ficar em alerta o tempo inteiro de como vai pagar essa dívida. E aí pode dar os sintomas físicos também, o coração palpitando, a mão suada".

Ela aponta dois sentimentos que impedem a busca por ajuda: a culpa e a vergonha. "A culpa no sentido de ‘por que que eu não consegui resolver?’. E a vergonha, porque pedir ajuda já é muito difícil, e pedir ajuda na maneira financeira, que é algo que hoje na sociedade a gente valoriza muito o ter em vez do ser, engloba essa vergonha".

O economista Otacílio Moreira de Carvalho destaca que a educação financeira pode evitar que a situação se agrave, mas não resolve todos os casos. "A educação financeira, inicialmente, pode impedir que o cidadão chegue a essa situação. Agora, se a pessoa chegou a essa situação de desequilíbrio emocional, só a educação financeira não é necessária. Essa pessoa vai precisar de uma orientação financeira para organizar suas finanças e um planejamento para se monitorar daqui para frente".

Para quem já está endividado, o Novo Desenrola Brasil permite renegociar débitos com descontos que podem chegar a 90%, juros de até 1,99% ao mês e parcelamento em até 48 vezes. O programa é voltado para pessoas com renda de até cinco salários mínimos e dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e 2 anos.

As negociações devem ser feitas exclusivamente pelos canais oficiais dos bancos e instituições financeiras participantes, sem intermediários.

Quando procurar ajuda

A psicóloga orienta que a quebra do ciclo exige entender a origem do problema financeiro e, muitas vezes, reprogramar crenças sobre dinheiro. "Fazer um planejamento, procurar um economista, procurar também uma psicóloga que entenda, que faça esses comprometimentos também com o cliente".

Para apoio emocional, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia, em todos os estados brasileiros. O serviço também está disponível por chat e e-mail no site cvv.org.br.

Natália Figueiredo - Portal SGC


NOTÍCIAS RELACIONADAS

Últimas notícias de Saúde