Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com cientistas franceses, descobriram como o parasita causador da malária utiliza a melatonina, conhecida como hormônio do sono, para regular seu desenvolvimento no organismo humano. O estudo identificou uma proteína que pode se tornar um alvo para a criação de novos tratamentos contra a doença.
A pesquisa analisou o Plasmodium falciparum, parasita responsável pela forma mais grave da malária, e identificou a proteína MT-PfSR1, que permite ao microrganismo reconhecer a melatonina e responder aos sinais do relógio biológico humano.
Como o parasita utiliza a melatonina?
Produzida principalmente durante a noite, a melatonina ajuda a regular o ciclo de sono e vigília. Os pesquisadores descobriram que o parasita consegue reconhecer esse hormônio e utilizar seus sinais para sincronizar o desenvolvimento dentro dos glóbulos vermelhos.
O Plasmodium falciparum se multiplica em ciclos de aproximadamente 48 horas. Ao final de cada ciclo, os glóbulos vermelhos infectados se rompem e liberam novos parasitas na corrente sanguínea. Esse processo está relacionado aos episódios periódicos de febre característicos da malária.
A proteína MT-PfSR1 atua no reconhecimento da melatonina, permitindo que o parasita responda aos sinais associados ao ritmo biológico humano.
Substância testada apresentou resultados em laboratório
As investigações sobre a relação entre a melatonina e o desenvolvimento do parasita começaram nos anos 2000. Em 2008, os pesquisadores identificaram quatro possíveis receptores, dos quais dois foram analisados no estudo mais recente.
Durante os experimentos, os cientistas também testaram uma substância sintética chamada AR34. Em laboratório, ela ativou a proteína estudada e inibiu o crescimento do parasita, sem se ligar aos receptores humanos de melatonina.
Os resultados apontam uma possibilidade para o desenvolvimento de medicamentos que atuem diretamente nesse mecanismo. No entanto, ainda são necessárias outras etapas de pesquisa para avaliar a segurança e a eficácia de possíveis tratamentos em humanos.
O que é a malária?
A malária é uma doença infecciosa causada por parasitas do gênero Plasmodium, transmitidos pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Anopheles, conhecido popularmente como mosquito-prego.
Entre os sintomas estão febre, fraqueza intensa e, nos casos graves, complicações como confusão mental, convulsões e dificuldade para respirar. Sem diagnóstico e tratamento adequados, a doença pode levar à morte.
No Brasil, a maior parte dos casos ocorre na região amazônica, que inclui estados como Amazonas, Pará, Acre, Rondônia e Roraima.
O diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento são fundamentais para evitar complicações. A descoberta da USP pode contribuir para novas estratégias de combate à doença, especialmente diante da resistência de parasitas aos medicamentos disponíveis.
Metrópoles