Porto Velho (RO)03 de Novembro de 202613:49:51
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Saúde

Medicamento experimental pode restaurar o fígado e barrar o Alzheimer

Após duas semanas, remédio experimental reduziu pela metade os níveis de beta-amiloide no sangue e normalizou o colesterol LDL dos animais


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Um medicamento experimental conseguiu reverter sinais de envelhecimento em células do fígado de ratos idosos e reduzir pela metade a concentração de beta-amiloide no sangue. A substância também normalizou os níveis de colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim.

Os resultados foram publicados em 26 de setembro no Journal of Biological Chemistry por pesquisadores da Escola de Medicina Keck da Universidade do Sul da Califórnia (USC), nos Estados Unidos.

O estudo investigou como o envelhecimento afeta a capacidade do fígado de retirar substâncias da circulação sanguínea. A equipe tratou ratos idosos com cinaciguat durante duas semanas e observou mudanças em células que funcionam como filtros dentro do órgão.

A redução da beta-amiloide chamou a atenção dos cientistas porque a proteína está associada à doença de Alzheimer. Ela pode se acumular no cérebro e formar placas características da doença. Os pesquisadores ressaltam, porém, que diminuir sua concentração no sangue não significa necessariamente reduzir essas placas ou prevenir o Alzheimer.

Medicamento recuperou filtros do fígado

A pesquisa se concentrou nas células endoteliais sinusoidais hepáticas, que revestem pequenos vasos sanguíneos do fígado. Essas células têm aberturas microscópicas que permitem a passagem de moléculas para chegar aos hepatócitos, responsáveis por processar e remover substâncias do organismo.

Com o envelhecimento, essas aberturas diminuem de tamanho ou desaparecem, o que prejudica o funcionamento do sistema de filtragem do fígado e pode dificultar a retirada de determinadas substâncias do sangue.

Nos ratos tratados com cinaciguat, os pesquisadores observaram que as aberturas foram recuperadas e as células voltaram a funcionar de forma semelhante às de animais jovens. Após duas semanas, os níveis de beta-amiloide também caíram cerca de 50%.

"Em vez de tentar levar um medicamento através da barreira hematoencefálica, o que é extremamente difícil, poderíamos direcioná-lo ao fígado", afirmou Sam de Leve, primeiro autor do estudo, em comunicado. A barreira hematoencefálica protege o cérebro e dificulta a entrada de algumas substâncias, inclusive medicamentos.

Comunicação entre células explica efeito no colesterol

Outro resultado chamou a atenção da equipe. Além da queda na beta-amiloide, o tratamento reduziu os níveis de LDL nos animais idosos até valores semelhantes aos encontrados nos ratos jovens.

A princípio, os cientistas não esperavam essa resposta. As partículas de LDL são pequenas o suficiente para passar pela corrente sanguínea sem depender das aberturas microscópicas das células estudadas.

A investigação revelou que o medicamento também recuperou um mecanismo de comunicação entre dois tipos de células do fígado. O cinaciguat ativou uma enzima nas células endoteliais, que passaram a liberar uma substância chamada HB-EGF. Esse sinal age nos hepatócitos e estimula essas células a capturar mais beta-amiloide e LDL do sangue.

Para os pesquisadores, a descoberta pode orientar estudos sobre tratamentos que atuem no funcionamento do fígado. Ainda não se sabe, no entanto, se os mesmos efeitos seriam observados em seres humanos.

A equipe pretende continuar os testes em animais para investigar se a redução da beta-amiloide no sangue também traz alguma proteção contra alterações associadas ao Alzheimer. O cinaciguat ainda é experimental e não foi aprovado para esse uso.


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