Foto: Reprodução/FILME BEIRA
O curta-metragem "Beira", produção rondonense que investiga a memória negra e LGBTQIA+ na Amazônia, acaba de garantir seu lugar em um dos palcos mais importantes do cinema nacional: a 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Dirigido por Marcela Bonfim, o filme utiliza a margem do Rio Madeira como ponto de partida simbólico para narrativas de resistência e criação.
A história segue Eva, que retorna à cidade para resgatar a casa da avó, uma parteira e benzedeira. Nesse retorno, memórias e segredos de família emergem das águas do Madeira, tecendo uma trama que reinscreve histórias das margens no imaginário do país.
A produção buscou autenticidade não apenas na narrativa, mas também em sua realização. A ficha técnica priorizou profissionais LGBTQIA+, tanto na frente quanto atrás das câmeras. Uma das cenas de maior impacto foi filmada com autorização no Tribunal de Justiça de Rondônia, onde a personagem da Juíza Cora, uma mulher negra, ocupa um espaço de poder historicamente marcado pela branquidade.
Após sua exibição na Mostra de Tiradentes, "Beira" já tem nova destinação internacional. O curta será exibido no Festival de Clermont-Ferrand, na França, importante vitrine do cinema curto mundial. A trajetória do filme evidencia a potência criativa que surge da beira do rio, lançando ao mundo uma imagem da Amazônia que é plural, negra, dissidente e viva.
Natália Figueiredo - Portal SGC