Porto Velho (RO)29 de Maio de 202616:40:34
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SGC TV: Cineasta de RO grava filme inteiro sob efeito de ayahuasca

Documentário "Luz de Uma Nova Vida" foi feito de dentro pra fora, com direção de Keven Fongaro, natural de Ouro Preto do Oeste


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Foto: Reprodução

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O documentário "Luz de Uma Nova Vida", produção audiovisual realizada em Ouro Preto do Oeste, foi lançado na última quarta-feira (27) em uma sessão aberta ao público no auditório da ACIOP.

Com 128 minutos de duração, a obra retrata vivências, rituais e relatos de pessoas que tiveram suas trajetórias marcadas pela ayahuasca, bebida tradicional da Floresta Amazônica. As filmagens ocorreram no Centro Espiritualista Nosso Cantinho, em Ouro Preto do Oeste, e no Núcleo Mulateiro, em Candeias do Jamari.

O diretor do filme é Keven Fongaro Fonseca, mestre em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal Fluminense. A produção é assinada por Isabela Priscila Vieira Rodrigues, com edição de som de Wesley Silva Lacerda, design gráfico da Eleve Design Criativo, social media da Agência K. e distribuição de Lane Lopes.

O diferencial do documentário, segundo o diretor, está no método de produção. Keven Fongaro afirma que realizou as filmagens e a edição sob efeito da ayahuasca, assim como a maior parte dos entrevistados.

"Acho que um dos grandes diferenciais de ‘Luz de uma Nova Vida’ como um documentário sobre a ayahuasca é que ele foi feito de dentro para fora. Foi feito por um cineasta nascido aqui na Floresta Amazônica, nascido em Ouro Preto do Oeste no interior de Rondônia, que é também um oasqueiro", diz o diretor.

Ayahuasca em Rondônia: tradição e pesquisa

A ayahuasca, conhecida popularmente como Santo Daime ou simplesmente "chá", é produzida a partir do cozimento de folhas do arbusto Psychotria viridis (chacrona) e da casca do cipó Banisteriopsis caapi (mariri) . No Brasil, seu uso é considerado legal desde 1987 para fins ritualísticos .

Rondônia tem papel central na história da ayahuasca no país. Foi no estado que surgiu uma das três vertentes religiosas originais que utilizam a bebida: a Barquinha, fundada em Ji-Paraná . Além dela, o Santo Daime e a União do Vegetal completam as chamadas "religiões da floresta", surgidas nas primeiras décadas do século 20 entre seringueiros da Amazônia .

Em Porto Velho, a capital do estado, a ONG Acuda (Associação Cultural e de Desenvolvimento do Apenado e Egresso) chegou a oferecer a ayahuasca a detentos do regime fechado como parte de um projeto de ressocialização. A experiência radical foi tema de reportagem do Fantástico em 2015 e também repercutiu no jornal norte-americano The New York Times .

Pesquisas científicas sobre a ayahuasca têm avançado nos últimos anos. Estudos conduzidos pela Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto (USP-RP) e pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) avaliam a potencial ação antidepressiva da bebida . Em um ensaio clínico controlado com placebo, publicado em 2018 na revista Psychological Medicine, cerca de 60% dos participantes com depressão refratária que receberam uma dose única de ayahuasca apresentaram redução superior a 50% nos sintomas após sete dias .

Conservação ambiental e território religioso

Outro aspecto relevante é a relação entre as comunidades ayahuasqueiras e a preservação florestal. Pesquisas acadêmicas realizadas em Rondônia indicam que as propriedades rurais pertencentes a centros que utilizam a ayahuasca mantêm altos índices de cobertura vegetal.

Uma tese de doutorado da Universidade Estadual Paulista (Unesp) mapeou 24 propriedades rurais ligadas a organizações ayahuasqueiras no estado. O estudo constatou que 96,6% do território analisado permanece com cobertura arbórea, percentual superior ao exigido por lei para Reserva Legal . Essas propriedades funcionam como "ilhas de floresta" em meio a áreas desmatadas para pastagem .

Expectativas para o filme

O cineasta afirma que o próximo passo é apresentar o documentário à população de Ouro Preto do Oeste, já que parte do orçamento teve investimento da Prefeitura. Depois, a produção deve circular por festivais, mostras e eventos de cinema pelo Brasil.

"Uma das coisas que a gente espera fazer com esse filme é quebrar um pouco do preconceito que existe em cima da ayahuasca. Apesar de ser uma cultura milenar aqui da região amazônica, e de ser uma cultura que tem se expandido e se difundido cada vez mais, ainda existe muita gente que enxerga como uma coisa negativa, com olhar preconceituoso mesmo", diz Keven Fongaro.

"O que a gente espera com esse filme é desmistificar, mostrar que não é nada demais, é algo palpável, é algo que pode fazer bem, é algo que pode curar uma pessoa, é algo que pode mudar a vida de alguém para melhor."


















Natália Figueiredo - Portal SGC


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