Porto Velho (RO)20 de Outubro de 202617:51:47
EDIÇÃO IMPRESSA
Brasil

CPMI para investigar Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz reúne 100 assinaturas

Comissão precisa de 198 assinaturas; governistas cobram apoio da oposição e citam investigação sobre Lulinha e Roberta Luchsinger.


Imagem de Capa

RENATOPIZZUTTO

PUBLICIDADE

Líderes governistas no Congresso estão coletando assinaturas para protocolar um pedido de CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) para investigar o senador candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o advogado Willer Tomaz. 

Segundo o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), o pedido já tem 100 assinaturas. São 15 senadores e 85 deputados. Para que o requerimento seja protocolado, são necessárias 198 assinaturas: um terço de cada Casa, ou 171 deputados e 27 senadores. Mesmo com o quórum atingido, a comissão só é instalada após a leitura do requerimento pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP).

Uczai disse que o governo não teme a transparência e lembrou que a base assinou o pedido de CPMI apresentado pela oposição para investigar Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

"Queremos que o time do Flávio Bolsonaro tenha a mesma postura que nós. Assinamos a CPMI deles e queremos que eles assinem a nossa CPMI contra o Willer Tomaz para investigar todas as acusações", disse.

O que o pedido quer investigar

O requerimento é assinado por Uczai e pelo líder do PT no Senado, Camilo Santana (PT-CE). Ele pede uma comissão com 16 senadores e 16 deputados, com prazo de 180 dias, para apurar dois conjuntos de fatos que são alvo de inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal).

O primeiro envolve o filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro. O inquérito foi aberto em julho pelo ministro André Mendonça, a pedido da PF (Polícia Federal) e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. A investigação apura possível lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no financiamento da obra.

Mensagens e áudios divulgados em maio indicam que Flávio negociou com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, aportes de até US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões à época). Segundo delação homologada em setembro, sete remessas somaram US$ 12,3 milhões e foram enviadas em 2025 ao fundo Havengate, nos EUA. A PF apura se parte do dinheiro bancou a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Willer Tomaz e o INSS

O segundo inquérito foi enviado pela PF ao STF em 8 de outubro e está com o ministro Alexandre de Moraes. Ele tem origem em investigação sobre plataformas de pagamento e apostas e alcançou Willer Tomaz, que em agosto foi alvo de busca e apreensão na Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos em benefícios do INSS.

De acordo com o requerimento, a PF encontrou indícios que justificam apurar uma possível participação econômica de Flávio em empresas do advogado. Entre eles:

o cadastro do senador como usuário master da conta da Alcazar Holdings, da qual Willer é único sócio formal;

o pedido de desvinculação dessa conta, enviado ao banco em 22 de maio de 2025;

o custeio de viagens de Flávio e de familiares pela Cathedral Holding, acionista única da Rede Loto, casa de apostas credenciada no Rio;

a movimentação de cerca de R$ 130 milhões, entre março e maio de 2025, em conta ligada ao advogado.

Os dois casos se cruzam em uma aeronave: a Alcazar Holdings tem participação em um jato do qual Vorcaro também foi cotista. Flávio o usou em viagem dos EUA ao Brasil em janeiro de 2025. Willer viajou ao exterior com a família poucos dias depois de o inquérito chegar ao STF, e a PF avalia se a viagem foi para escapar de medidas cautelares.

O pedido feito pelos congressistas pede que sejam investigadas as relações financeiras entre Flávio Bolsonaro e Willer, além dos vínculos deles com a Alcazar Holdings e Vorcaro.

CNN Brasil


NOTÍCIAS RELACIONADAS

Últimas notícias de Brasil