Porto Velho (RO)14 de Outubro de 202615:49:26
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Construção civil pede dados mais precisos; informação local pode orientar políticas

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Construir em Rondônia exige atenção crescente aos custos. O levantamento de setembro de 2026 do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), coloca o estado na terceira posição nacional em custo médio por metro quadrado. O indicador chegou a R$ 2.192,56, cerca de 9,6% acima da média brasileira. O resultado exige análise além do ranking.

Materiais de construção representam 59,49% do custo estadual, enquanto a mão de obra responde por 40,51%. Em valores absolutos, são R$ 1.304,50 e R$ 888,06 por metro quadrado, respectivamente. A composição evidencia que o orçamento depende de fatores como preços dos insumos, transporte, disponibilidade de trabalhadores e remuneração profissional. Não há, portanto, uma causa única para explicar o resultado.

Para famílias que planejam construir ou reformar, custos elevados podem exigir mais recursos, prolongar cronogramas ou adiar projetos. No mercado imobiliário, as despesas da construção também influenciam preços de venda e locação, embora não sejam determinantes isolados. Renda, crédito, demanda e valor dos terrenos igualmente interferem nesse cenário.

É necessário evitar generalizações. O Sinapi apresenta referências médias, não o preço final de cada empreendimento. Tipo de edificação, acabamento, localização e condições de contratação produzem diferenças entre obras. O indicador permite comparações, mas não significa que toda construção em Rondônia custe mais na mesma proporção.

A evolução anual também merece atenção. Em setembro de 2025, o custo médio estadual era de R$ 2.068,73 por metro quadrado. Um ano depois, alcançou R$ 2.192,56, alta aproximada de 6%. A variação dimensiona mudanças nos orçamentos, mas não mede, sozinha, o impacto sobre a renda ou o poder de compra das famílias.

Cabe ao poder público acompanhar fatores que afetam o setor, como infraestrutura logística, qualificação profissional e oferta habitacional. Planejamento, transparência nos orçamentos e gestão eficiente de materiais também podem reduzir desperdícios. Medidas eficazes, contudo, dependem de diagnósticos consistentes.

Há ainda uma lacuna regional: o levantamento não apresenta custos médios individualizados por município. Dados de Porto Velho, Ji-Paraná, Ariquemes e outras cidades permitiriam identificar diferenças locais e orientar ações mais adequadas.

O terceiro lugar no ranking não encerra a discussão. O desafio é compreender os componentes dos custos, acompanhar sua evolução e avaliar seus efeitos sobre famílias, empresas e investimentos. Mais importante que a posição nacional é transformar números em planejamento, decisões fundamentadas e iniciativas verificáveis para a construção civil.

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