Porto Velho (RO)17 de Outubro de 202615:04:22
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Rondônia reduz focos de incêndio no ano, mas Porto Velho segue sob fumaça alheia

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Rondônia entrou em outubro com um dado relevante: a redução de 32,8% nos focos de incêndio no acumulado do ano. Segundo o INPE, foram 680 focos entre janeiro e outubro de 2026, contra 1.013 no mesmo período de 2025. O estado foi o único da Amazônia a registrar queda. O resultado merece reconhecimento, mas não significa que o problema foi resolvido.

Fogo e fumaça não respeitam fronteiras. Enquanto Rondônia reduzia seus focos, Porto Velho amanhecia coberta por poluição proveniente de queimadas no Amazonas e no Pará. Em 15 de outubro, a capital registrou o pior índice de qualidade do ar do país, com 125 pontos na plataforma IQAir. O material particulado fino (PM2.5) chegou a 45,3 microgramas por metro cúbico, nível preocupante para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.

O episódio revela uma fragilidade da política ambiental amazônica: a falta de integração entre estados. Cada unidade monitora focos, fiscaliza e mobiliza equipes, mas a fumaça atravessa territórios e transporta poluentes por centenas de quilômetros. Assim, uma cidade pode ter menos incêndios locais e enfrentar uma crise sanitária provocada por queimadas distantes.

A redução de 333 focos em Rondônia indica avanço e pode refletir ações de prevenção, fiscalização e combate, além de condições climáticas menos favoráveis ao fogo em parte do período. O dado positivo deve ser reconhecido, sem ser tratado como prova de que a crise terminou.

A estiagem agrava o cenário. Em 15 de outubro, o Rio Madeira estava em 2,45 metros, cerca de um metro abaixo do nível esperado. Segundo a Defesa Civil municipal, mais de 22 mil pessoas foram afetadas pela seca em Porto Velho. O baixo nível do rio compromete o transporte, o abastecimento e a vida das comunidades ribeirinhas. Associada ao El Niño, a seca resseca a vegetação e favorece a propagação das chamas.

O Amazonas enfrentava situação ainda mais grave. Nos dez primeiros dias de outubro, registrou 1.380 focos, alta de 271% em relação ao mesmo período de 2025. Enquanto houver grandes incêndios em outros estados, Porto Velho continuará exposta. A solução depende de combater o fogo na origem.

Isso exige coordenação entre estados, recursos adequados, fiscalização efetiva e punição aos responsáveis por incêndios criminosos. Também requer proteção imediata à população, com informações claras, máscaras, umidificação de ambientes e atenção aos grupos vulneráveis.

Reduzir focos é necessário, mas garantir ar respirável é igualmente urgente. Rondônia precisa avançar nas duas frentes e fortalecer a cooperação regional para enfrentar uma fumaça que não conhece fronteiras.


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