Porto Velho (RO)22 de Outubro de 202615:20:32
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Redução nos casos de feminicídios em Rondônia exige dados claros e prevenção eficaz

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Reduzir os registros de feminicídio é um resultado que merece atenção, mas não encerra o debate sobre a proteção das mulheres. Em Rondônia, a queda de 64,7% entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, contrasta com a redução nacional de 3,2%, segundo dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública. O indicador é relevante. Sua interpretação, porém, exige cautel.

Diferenças percentuais expressivas podem refletir mudanças importantes, sobretudo quando representam menos mortes. Ainda assim, números acumulados não explicam, por si sós, as causas da variação. É preciso conhecer a distribuição dos registros, verificar a consistência das séries e avaliar se houve alterações na classificação ou na atualização dos dados. Sem esse exame, qualquer explicação para a queda corre o risco de ultrapassar o que as estatísticas efetivamente demonstram.

Existe outra questão central: a redução estadual pode esconder realidades distintas entre municípios. Enquanto algumas localidades podem ter registrado menos ocorrências, outras podem apresentar estabilidade ou aumento. A base municipal comparável é indispensável para identificar essas diferenças e orientar políticas públicas de acordo com as necessidades de cada região. Sem ela, o resultado agregado oferece apenas uma parte do cenário.

Também seria precipitado interpretar a queda como prova de que as políticas de prevenção já produzem efeitos suficientes. Para estabelecer essa relação, seria necessário confrontar os registros com informações sobre atendimento às vítimas, medidas protetivas, investigações, responsabilização dos agressores e funcionamento da rede de acolhimento. A estatística aponta uma tendência; demonstrar suas causas exige investigação.

Isso não significa desconsiderar o resultado divulgado. Menos feminicídios representam menos vidas perdidas, desde que a redução seja confirmada por dados consistentes. O ponto é evitar tanto a celebração antecipada quanto a desconfiança sem evidências. A análise pública precisa permanecer vinculada aos fatos, inclusive quando eles são favoráveis.

Cabe às autoridades ampliar a transparência, disponibilizar séries municipais atualizadas e explicar as variações observadas. À sociedade e à imprensa compete acompanhar os indicadores, cobrar resultados e verificar se a prevenção alcança as mulheres expostas à violência.

A queda de Rondônia deve ser tratada como um sinal relevante, não como conclusão definitiva. O desafio é compreender o que mudou, onde mudou e quais medidas podem sustentar essa trajetória. Em matéria de feminicídio, o indicador mais importante não é apenas o percentual divulgado, mas a capacidade de impedir novas mortes

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