Porto Velho (RO)30 de Outubro de 202623:07:57
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Diário da Amazônia

Retirar máquinas não basta para conter a estrutura que financia o garimpo ilegal

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Retirar equipamentos de circulação é uma medida contra a extração ilegal de ouro, mas não resolve um problema que exige fiscalização permanente e investigação sobre quem financia a atividade. A Operação Nêmesis, com apoio do Ibama no Rio Madeira, evidencia a necessidade de combinar repressão, proteção ambiental e responsabilização.

Nesta, foram inutilizados 72 bens empregados no garimpo e 16 mil litros de óleo diesel. A relação inclui 17 dragas, dois rebocadores, três voadeiras, 21 motores, 25 bombas de draga e quatro bombas de água. Também foram apreendidos três frascos de mercúrio e oito celulares. Os números dimensionam a estrutura atingida, mas não medem os danos ambientais.

O mercúrio pode contaminar ambientes aquáticos e representar riscos à saúde. A dimensão de eventuais impactos no Madeira deve ser estabelecida por análises técnicas. A avaliação dos danos depende de evidências técnicas.

Outro ponto decisivo é descobrir quem sustenta economicamente o garimpo. Operadores, proprietários de equipamentos e financiadores podem ocupar posições distintas nessa cadeia. Identificar essas relações é essencial para evitar que a retirada de máquinas seja seguida pela instalação de novas estruturas. A investigação deve esclarecer a participação de cada envolvido.

Os celulares apreendidos poderão contribuir para esse trabalho. Eventuais responsabilizações devem estar amparadas em provas. O combate aos crimes ambientais não elimina o dever de respeitar o direito de defesa e as garantias previstas em lei.

A busca por renda não autoriza a exploração mineral sem licença, mas políticas públicas que ofereçam alternativas legais podem ajudar a prevenir novas ocorrências. Fiscalização e alternativas econômicas legais devem caminhar juntas.

A inutilização dos equipamentos interrompe o uso das estruturas atingidas, mas a eficácia da medida dependerá do acompanhamento posterior. Monitorar o trecho fiscalizado, verificar possíveis reocupações e rastrear os recursos que financiam a atividade são providências importantes para evitar efeitos temporários.

O resultado da Nêmesis deve ser medido não apenas pelos bens inutilizados, mas pela capacidade de esclarecer responsabilidades e reduzir o garimpo ilegal. Proteger o Rio Madeira exige ações persistentes, conhecimento técnico e aplicação equilibrada da lei. A operação é uma etapa desse processo, não sua conclusão. A transparência dos resultados permitirá avaliar a efetividade da fiscalização.

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