Porto Velho (RO)15 de Outubro de 202617:54:02
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FAO reconhece duas brasileiras entre 100 mulheres que transformam o agro

Joana Mousinho e Luena Pataxó estão entre 100 mulheres homenageadas pela FAO por suas contribuições sociais e ambientais.


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Duas brasileiras foram incluídas em uma lista internacional de mulheres reconhecidas por sua atuação nos sistemas agroalimentares. Joana Rodrigues Mousinho, de Pernambuco, e Luena Maria Ferreira dos Santos, conhecida como Luena Pataxó, estão entre as 100 homenageadas pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

A seleção foi anunciada nesta quinta-feira (15), em Roma, na Itália, durante o Fórum Mundial da Alimentação. As brasileiras foram indicadas pelo Ministério das Mulheres e escolhidas entre mais de 600 candidaturas de 131 países.

As duas atuam na pesca artesanal e se destacam pela mobilização comunitária, pela defesa dos direitos das trabalhadoras e pela preservação ambiental.

Mais de 60 anos dedicados à pesca

Aos 70 anos, Joana Mousinho pesca desde a infância no Canal de Santa Cruz, em Itapissuma, no litoral norte de Pernambuco. Ao longo de mais de seis décadas, trabalhou com a captura e a comercialização de peixes, camarões, mariscos e siris.

Ela também se destacou na luta pelo reconhecimento profissional das pescadoras. Foi uma das primeiras mulheres do país a obter o Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) e a primeira a presidir uma colônia de pescadores. Além disso, participou da fundação da Articulação Nacional das Pescadoras.

Em 2024, Joana recebeu o Prêmio Mulheres das Águas, concedido pelo Ministério da Pesca e Aquicultura, na categoria Pesca Artesanal em Águas Marinhas.

Para a pescadora, a homenagem representa não apenas sua trajetória, mas também a conquista de sua comunidade e o avanço da participação feminina nos espaços de decisão.

Liderança indígena no sul da Bahia

Aos 44 anos, Luena Pataxó atua na organização de pescadores indígenas no sul da Bahia. Ela preside a Associação dos Pescadores Indígenas Pataxó (Apip), localizada em Coroa Vermelha, distrito de Santa Cruz Cabrália.

Também lidera o Comitê de Relacionamento de Pescadores do extremo sul baiano, que reúne oito municípios e 13 associações. Seu trabalho envolve parcerias institucionais, iniciativas para aumentar a renda das famílias e ações voltadas à segurança no mar.

Luena ainda criou o Grupo de Trabalho Indígena Nacional, ligado ao Plano Nacional da Pesca Artesanal. Sua atuação também foi reconhecida pelo Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, no qual conquistou o primeiro lugar na etapa estadual e o terceiro na nacional, na categoria Produtora Rural.

A líder indígena afirma que a homenagem representa seu povo e destaca a importância dos conhecimentos tradicionais para a preservação da natureza e a continuidade da pesca artesanal.

Mulheres têm papel importante na produção de alimentos

A iniciativa da FAO busca dar visibilidade a mulheres que contribuem para a produção e a distribuição de alimentos, o empreendedorismo rural, a ciência, a conservação ambiental e a liderança comunitária.

Segundo a organização, as mulheres representam 41% da força de trabalho mundial nos sistemas agroalimentares. Apesar dessa participação, elas ainda enfrentam condições de trabalho desfavoráveis, empregos precários e dificuldades no acesso a direitos.

No Brasil, Joana e Luena também integram o Fórum de Políticas Públicas de Autonomia Econômica e Cuidado com Mulheres da Pesca, Aquicultura Artesanal e Marisqueiras.

O reconhecimento internacional destaca a importância do trabalho das pescadoras para a segurança alimentar, a economia das comunidades e a preservação dos territórios e dos conhecimentos tradicionais.

CNN Brasil


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