A Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, lançou uma nova versão de seus óculos inteligentes sem câmera em meio a questionamentos sobre privacidade e relatos de pessoas filmadas sem autorização. Chamado Ray-Ban Meta Audio, o dispositivo mantém funções de áudio, mas não permite tirar fotos ou gravar vídeos.
A novidade surge após modelos anteriores, desenvolvidos em parceria com a Ray-Ban, receberem críticas pelo uso indevido de suas câmeras. Os dispositivos foram associados a relatos de gravações de mulheres e meninas sem consentimento, com algumas imagens compartilhadas na internet.
Segundo informações da BBC News Brasil, a Meta afirma que o novo modelo estava em desenvolvimento havia cerca de dois anos e não confirmou que o lançamento tenha sido motivado diretamente pelas polêmicas. A versão sem câmera também foi apresentada como uma opção mais leve, com maior duração de bateria e preço mais acessível.
Câmeras discretas levantam preocupações
Os óculos inteligentes da Meta ganharam espaço desde o lançamento dos primeiros modelos com inteligência artificial, em 2023. No entanto, a presença de câmeras integradas à armação provocou debates sobre os limites da tecnologia e o direito à privacidade.
Ao contrário dos celulares, que geralmente precisam ser direcionados para registrar uma imagem, os óculos permitem fotografar e filmar enquanto o usuário utiliza o acessório normalmente. Essa característica dificulta que outras pessoas percebam quando estão sendo gravadas.
A preocupação aumentou após denúncias de gravações feitas sem autorização, incluindo situações envolvendo mulheres e meninas. Os casos levantaram questões sobre assédio, exposição indevida e consentimento.
De acordo com a BBC, alguns estabelecimentos e instituições no Reino Unido passaram a restringir o uso dos dispositivos. Entre os locais citados estão pubs, teatros, escolas, eventos como a Comic-Con e a base naval de Faslane, na Escócia.
Como funcionam os óculos sem câmera?
O Ray-Ban Meta Audio mantém algumas das funções dos modelos anteriores, mas elimina os recursos de captura de imagens.
O aparelho conta com alto-falantes integrados à armação, permitindo ouvir músicas e realizar chamadas telefônicas sem a necessidade de fones convencionais.
A retirada da câmera também permite uma estrutura mais leve e maior autonomia de bateria. Além disso, o modelo é apresentado como uma alternativa de menor custo para consumidores interessados na tecnologia, mas que não desejam um dispositivo capaz de fotografar ou filmar.
Apesar do lançamento, a Meta não abandonou os modelos com câmeras. A empresa continua investindo em óculos inteligentes que utilizam inteligência artificial para interpretar imagens e informações do ambiente.
Empresa busca ampliar o público
Em entrevista à BBC, Ankit Brahmbhatt, responsável pelos produtos Meta Glasses, comentou a expansão da linha de dispositivos e afirmou que a empresa pretende oferecer opções para diferentes consumidores.
A analista Kate Winick, da consultoria Forrester, avalia que a versão sem câmera pode facilitar a aproximação de pessoas que têm receio de utilizar acessórios com recursos de gravação. Para ela, a novidade pode ampliar o público interessado nos óculos inteligentes.
Já Ben Wood, analista da CCS Insight, destaca que as câmeras continuam sendo importantes para recursos avançados de inteligência artificial, principalmente aqueles que dependem da interpretação do ambiente ao redor do usuário.
Assim, a nova versão pode atrair consumidores que priorizam funções de áudio, enquanto os modelos com câmera seguem voltados a quem busca recursos mais avançados.
Retirada da câmera resolve o problema da privacidade?
A ausência de câmera impede que o novo modelo registre fotos e vídeos diretamente, mas não encerra todas as discussões sobre privacidade relacionadas a dispositivos inteligentes.
Equipamentos com microfones e conexão com serviços digitais também exigem atenção à coleta, ao processamento e ao armazenamento de informações.
Nos modelos equipados com câmera, a Meta utiliza uma luz indicadora para sinalizar quando imagens estão sendo capturadas. A empresa afirma que o recurso foi desenvolvido para tornar as gravações mais perceptíveis e orienta os usuários a respeitarem a privacidade de outras pessoas.
Ainda assim, os relatos de uso indevido mostram que mecanismos tecnológicos não substituem o consentimento e a responsabilidade de quem utiliza esses equipamentos.
Meta aposta no futuro dos óculos inteligentes
A empresa continua investindo na integração de inteligência artificial a dispositivos utilizados no dia a dia e também prepara versões mais avançadas, incluindo modelos capazes de exibir informações diretamente nas lentes.
O Ray-Ban Meta Audio amplia as opções disponíveis no mercado, mas ainda não é possível determinar se a retirada da câmera será suficiente para diminuir a resistência dos consumidores ou impulsionar as vendas.
A aceitação do público e o desempenho comercial do produto deverão ajudar a indicar o espaço que os óculos inteligentes sem câmera poderão conquistar.
NC news