O Zoológico de Brasília iniciou um trabalho de aproximação entre duas onças-pintadas com a possibilidade de formar um casal reprodutivo. Os animais são George, resgatado ainda filhote após queimadas no Mato Grosso, e Meia-Noite, uma fêmea retirada de uma situação de criação ilegal no Pará.
A iniciativa foi apresentada pela instituição nesta terça-feira (3). Apesar da expectativa de que os felinos possam ter filhotes no futuro, a aproximação ainda está em fase inicial e não há previsão para que eles passem a dividir o mesmo espaço.
Atualmente, os animais revezam a permanência no recinto. Dessa forma, conseguem reconhecer a presença um do outro por meio dos cheiros e sinais deixados no ambiente, enquanto a equipe técnica observa suas reações.
O procedimento faz parte das ações de conservação da onça-pintada, espécie considerada vulnerável à extinção no Brasil. Segundo o zoológico, o processo não tem prazo definido e depende, principalmente, da compatibilidade entre os animais.
Como funciona a adaptação?
A aproximação está sendo realizada de maneira gradual, com acompanhamento de veterinários, biólogos e tratadores. Antes de permitir qualquer convivência direta, os profissionais precisam avaliar o comportamento dos dois felinos e identificar possíveis sinais de compatibilidade.
De acordo com o diretor-presidente do zoológico, Wallison Couto, a formação de um casal exige mais do que colocar os animais no mesmo ambiente. O respeito ao tempo e às características individuais de cada um é fundamental para garantir a segurança.
Por isso, não existe uma data estabelecida para que George e Meia-Noite passem a compartilhar o recinto.
George foi resgatado após incêndios no Mato Grosso
George chegou ao zoológico em 2021, ainda filhote, junto com o irmão Peter. Os dois foram encontrados órfãos em uma região do Mato Grosso atingida por incêndios florestais.
Após o resgate, receberam cuidados especializados e cresceram sob acompanhamento da equipe da instituição.
Durante os primeiros anos, os irmãos permaneceram juntos. No entanto, com o amadurecimento, a equipe precisou reorganizar os espaços, considerando que as onças-pintadas adultas possuem hábitos predominantemente solitários.
Em agosto de 2026, Peter foi transferido para o Bosque e Zoológico Fábio Barreto, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. A mudança também faz parte das estratégias de reprodução e conservação da espécie.
George permaneceu na capital federal e agora participa da tentativa de aproximação com Meia-Noite.
Meia-Noite foi retirada de criação ilegal
A história da fêmea também começa com uma ação de resgate. Ela chegou ao Zoológico de Brasília em abril de 2025, após ser retirada de uma situação de criação ilegal em Santarém, no Pará.
Antes de chegar à instituição, Meia-Noite era mantida como animal de estimação. O contato prolongado com seres humanos influenciou seu comportamento, fazendo com que apresentasse características consideradas incompatíveis com uma possível devolução à natureza.
Por isso, ela permanece sob cuidados especializados, recebendo alimentação adequada e acompanhamento veterinário.
Agora, a felina passa por uma nova etapa de manejo, que poderá permitir sua aproximação com George.
Por que Meia-Noite é uma onça-preta?
A pelagem escura de Meia-Noite é resultado de uma condição genética chamada melanismo, responsável pelo aumento da pigmentação nos pelos.
Apesar da aparência diferente, ela pertence à mesma espécie das onças-pintadas de pelagem amarelada: a Panthera onca.
As manchas características da espécie continuam presentes, mas ficam menos visíveis por causa da coloração escura.
Projeto busca contribuir para a conservação da espécie
A possível formação do casal está relacionada a um programa mais amplo de conservação da onça-pintada, que envolve instituições e zoológicos de diferentes regiões do país.
As ações seguem orientações do programa de conservação coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em parceria com a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB).
Para definir os cruzamentos, são considerados fatores como saúde, histórico, comportamento e diversidade genética dos animais.
No caso de George e Meia-Noite, a expectativa é que a adaptação evolua positivamente e permita uma convivência segura. No entanto, a reprodução ainda é uma possibilidade, e não uma garantia.
A equipe continuará acompanhando os dois felinos antes de decidir sobre os próximos passos.
NC news