Porto Velho (RO)31 de Julho de 202617:33:30
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Dólar fica estável e Ibovespa sobe apesar de "apagão" na Bolsa

Moeda americana registrou pequena alta de 0,17% frente ao real, a R$ 5,06. O principal índice da B3 avançou 0,45%, aos 177,9 mil pontos


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Faga Almeida/UCG/Universal Images Group via Getty Images

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O dólar registrou leve alta de 0,17% frente ao real, cotado a R$ 5,06 (para compra), nesta sexta-feira (31/7). Como a variação foi pequena, a moeda americana manteve-se estável na sessão.

Já o Ibovespa, que começou a operar com quase três horas de atraso depois de problemas técnicos na Bolsa brasileira (B3), fechou em elevação de 0,45%, aos 177,9 mil pontos.

Os mercados de câmbio e de capitais foram agitados nesta sessão por diversos fatores. Um deles, no caso das ações, foi o problema operacional na B3.

João Vitor Saccardo, responsável pela mesa de renda variável da Convexa, observa que o volume médio de negociações do Ibovespa em julho foi de cerca de R$ 18 bilhões por pregão. Hoje, pouco antes do fechamento do índice, ele estava em torno de R$ 8,5 bilhões. "Quem só poderia operar pela manhã, não conseguiu", diz o analista.

Petróleo

Além disso, no cenário internacional, houve novo recrudescimento dos combates entre Estados Unidos e Irã. O resultado líquido dos ataques foi o aumento do preço do petróleo.

O barril do tipo Brent, a referência internacional da commodity, subiu 1,21%, a US$ 87,93. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, avançou 1,56%, a US$ 84,86.

Juros nos EUA

Os investidores também acompanharam declarações de três dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) favoráveis à elevação dos juros. Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, disse que "quanto mais tempo a inflação alta persistir, mais desafiador e custoso será reduzi-la". As afirmações de Neel Kashkari, de Minneapolis, e de Lorie Logan, de Dallas, seguiram na mesma toada.

Ainda assim, dados recentes divulgados sobre a economia americana fazem com que os agentes econômicos apostem na elevação dos juros, mas têm dúvidas sobre o número de altas, se uma ou duas, até o fim do ano.

Economia sólida

O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos do segundo trimestre confirmou a existência de economia ainda sólida, com consumo e investimentos permanecendo fortes. Em paralelo, a inflação dá sinais de arrefecimento.

O Índice de Preços de Gastos com Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês), o indicador da inflação dileto do Fed, ficou ligeiramente abaixo das expectativas em junho. Tal resultado, na avaliação de analistas da corretora Monte Bravo, reforçou a percepção de que os preços mantêm uma trajetória gradual de desaceleração.

Na sessão desta sexta-feira, os rendimentos dos títulos mais líquidos da dívida americana, os Treasuries, com prazos para dois e dez anos, também subiram. Tal movimento tende a atrair um maior número de investidores, o que exerce uma pressão de alta sobre o dólar.

Dívida pública

No cenário interno, o Banco Central (BC) divulgou os dados da Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) de junho. Ela atingiu R$ 10,8 trilhões, o equivalente a 81,9% do PIB, o maior nível em cinco anos.

Em maio, ela estava em 81,1% do produto, aos R$ 10,6 trilhões. No ano, a elevação foi de 3,3 pontos percentuais. A DBGG representa a soma dos débitos do governo federal e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além dos governos estaduais e municipais.

"Guerra da Ptax"

Outro fator que influenciou o pregão foi a "guerra da Ptax", que ocorre no último dia útil de todo mês. A Ptax é uma média do preço do dólar em relação ao real, calculada pelo Banco Central. Esse valor serve de referência para contratos de câmbio.

No fim do mês, empresas e investidores tentam influenciar a cotação da moeda americana para que a média lhes seja favorável. Com isso, esses grupos vendem ou compram grandes quantidades de dólar para puxar o preço para cima ou para baixo, afetando a média final da cotação.

Bolsas globais

As bolsas da Europa fecharam sem direção específica. O índice Stoxx 600, que reúne empresas de 17 países do continente, na prática, ficou estável, com leve queda de 0,06%. O DAX, de Frankfurt, registrou pequena alta de 0,07%. O CAC 40, de Paris, subiu 0,28% e o FTSE 100, de Londres, caiu 0,27%.

Em Wall Street, a alta foi generalizada. Às 16h50, elas eram de 0,91%, no S&P 500; de 0,76%, no Dow Jones; e de 1,23%, no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.

Análises

Para Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad, o pregão doméstico foi marcado pela volatilidade técnica decorrente da formação da taxa Ptax de fim de mês e pelo atraso na abertura dos negócios na B3.

"No ambiente internacional, a moeda americana também se fortaleceu levemente, impulsionada pela elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, que aumentam a atratividade de ativos em dólar", diz. "O movimento refletiu discursos mais rígidos de dirigentes do Federal Reserve em defesa da manutenção de juros elevados, como de Beth Hammack e de Lorie Logan."

Ibovespa

João Vitor Saccardo, da Convexa, afirma que a alta do Ibovespa foi sustentada principalmente pelas empresas ligadas às commodities. "O petróleo subiu após Donald Trump voltar a afirmar que pretende atacar o Irã ‘com muita força’ e demonstrar ceticismo em relação a um acordo", diz. "Isso impulsionou as ações da Petrobras e da Prio."

Ele observa que a Vale também avançou depois de divulgar resultados do segundo trimestre acima das expectativas dos analistas, enquanto o Santander foi destaque com a notícia de uma OPA (oferta de ações) anunciada pela controladora. "Apesar da leve alta da curva de juros, o setor de serviços subiu, enquanto a construção civil foi pressionada pelas taxas de juros mais elevadas."

Metrópoles


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