Um hospital do Japão realizou uma cirurgia inédita para tratar uma paciente com insuficiência cardíaca grave por meio de células-tronco capazes de formar tecido do músculo cardíaco. O procedimento foi feito em uma mulher na faixa dos 50 anos e representa o primeiro uso clínico da técnica após autorização do governo japonês neste ano
A cirurgia durou cerca de uma hora. Durante o procedimento, os médicos implantaram diretamente no coração da paciente lâminas produzidas em laboratório a partir de células do músculo cardíaco.
Como funciona o tratamento
A técnica utiliza as chamadas células iPS, que são obtidas a partir de células adultas reprogramadas para retornar a um estado semelhante ao inicial. A partir desse processo, elas podem ser direcionadas para formar diferentes tipos de células do organismo.
Neste tratamento, as células foram transformadas em cardiomiócitos, responsáveis pela contração do coração. Depois, foram organizadas em camadas e colocadas diretamente no órgão.
A expectativa dos pesquisadores é que as estruturas contribuam para melhorar o funcionamento do músculo cardíaco e a capacidade física da paciente.
Técnica já foi testada
Antes de chegar ao uso clínico, o método passou por testes com oito pessoas que tinham doença cardíaca isquêmica, condição relacionada ao estreitamento das artérias que levam sangue ao coração.
Segundo relatos da imprensa japonesa, os oito pacientes apresentaram redução dos sintomas. Em quatro deles, também foi observada melhora na função cardíaca.
O desenvolvimento da terapia envolve o cirurgião Yoshiki Sawa e o cientista Shinya Yamanaka, vencedor do Nobel de Medicina de 2012 por pesquisas relacionadas às células iPS.
Tratamento ainda será acompanhado
A nova abordagem é destinada inicialmente a pacientes que não apresentam resposta suficiente aos tratamentos já disponíveis. A equipe responsável pretende ampliar o número de pessoas submetidas ao procedimento nos próximos anos para avaliar os resultados em uma escala maior.
A autorização concedida pelas autoridades japonesas é condicional. Por isso, os pacientes continuarão sendo acompanhados para que os pesquisadores avaliem a segurança e os resultados da terapia antes de uma eventual liberação definitiva.
Metrópoles