O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, por feminicídio qualificado, fraude processual, tráfico de drogas e três crimes de lesão corporal. Ele é suspeito de matar a capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo dentro do apartamento onde o casal morava, no bairro Palmares, em Belo Horizonte.
Segundo a denúncia apresentada ao Tribunal do Júri, Michele teria sido agredida pelo companheiro nos dias 2, 13 e 16 de julho. Os episódios teriam provocado lesões que levaram a vítima a receber atendimento médico. Os ferimentos foram posteriormente documentados por meio de exame de corpo de delito indireto.
O Ministério Público pediu que, após a conclusão da primeira fase do processo, o acusado seja pronunciado e levado a julgamento pelo Tribunal do Júri. A promotoria também solicitou a manutenção da prisão preventiva e, em caso de condenação, o pagamento de uma reparação mínima de R$ 50 mil pelos danos causados pela infração penal.
Ciúmes teria motivado o crime
De acordo com a acusação, horas antes do assassinato, o casal recebeu amigos para uma confraternização no apartamento. Durante o encontro, Eduardo teria demonstrado ciúmes e comportamento agressivo ao questionar repetidamente Michele sobre conversas que ela mantinha com os convidados.
A situação teria sido tão tensa que outras pessoas presentes precisaram intervir. Para o Ministério Público, o crime foi cometido em razão da condição de mulher da vítima e ocorreu no contexto de violência doméstica e familiar. Michele e Eduardo mantinham um relacionamento havia aproximadamente seis anos.
O promotor Igor Bandeira e Silva classificou a motivação como fútil, apontando o ciúme e o inconformismo do acusado com as conversas da companheira durante a confraternização.
A acusação também sustenta que o crime foi cometido por meio cruel, devido às agressões e à asfixia, e que a vítima teve dificultada a possibilidade de defesa por ter sido surpreendida dentro da própria residência.
Ataques dentro do quarto
Ainda conforme a denúncia, após a confraternização, já na manhã do dia 20, o policial teria utilizado um pedaço de madeira para atingir Michele diversas vezes, provocando ferimentos em diferentes partes do corpo.
Além das agressões, o acusado teria apertado o pescoço da companheira com as próprias mãos, provocando esganadura e aumentando o sofrimento físico da vítima.
O relatório de necropsia citado pelo Ministério Público registrou múltiplas lesões traumáticas e fraturas. Para a acusação, os ferimentos provocados pelas agressões foram a causa da morte.
Suspeito teria tentado alterar a cena do crime
A denúncia aponta ainda que, após as agressões, o policial teria tomado medidas para modificar a cena do crime e dificultar o trabalho da polícia e dos peritos.
Segundo o Ministério Público, ele retirou os lençóis da cama e os colocou para lavar, removeu do apartamento os pedaços de madeira que teriam sido utilizados nas agressões e apagou mensagens do celular da vítima.
Na sequência, conforme a acusação, Eduardo teria carregado Michele nos ombros, colocado a companheira dentro do carro e a levado ao Hospital Odilon Behrens.
A vítima chegou à unidade de saúde já sem vida. Os médicos constataram que a morte havia ocorrido horas antes da chegada ao hospital. A equipe médica acionou a Polícia Militar, e Eduardo foi preso em flagrante.
Ecstasy teria sido descartado no hospital
Enquanto estava no hospital acompanhado por policiais, Eduardo teria pedido para ir ao banheiro. Segundo o Ministério Público, ele aproveitou o momento para jogar em uma lixeira uma caixa metálica contendo 18 comprimidos de ecstasy, com peso total de 16,85 gramas.
Os policiais que acompanhavam o acusado teriam presenciado o descarte e apreendido os comprimidos.
G1 Minas Gerais