Divulgação/MPT-PI
O Ministério Público do Trabalho (MPT-PI) resgatou 40 trabalhadores em condições análogas à escravidão nessa quarta-feira (2/9), em Sussuapara, Floriano e Oeiras, municípios no Piauí. Os patrões foram identificados e se comprometeram a indenizar em cerca de R$ 295 mil os empregados.
Segundo o órgão, 22 trabalhadores atuavam no ramo da construção civil em Sussuapara. Um adolescente, de 17 anos, e outros 18 empregados trabalhavam na extração de palha de carnaúba, com corte manual das folhas da palmeira carnaúba, em Floriano e em Oeiras.
Entre as condições análogas à escravidão presentes na exerção de todos os trabalhos estavam:
instalações sanitárias inadequadas
fornecimento de água imprópria para consumo
falta de equipamentos de proteção individual (EPIs)
alojamentos superlotados
sem energia elétrica
Além disso, o MPT-PI informou que os trabalhadores faziam as refeições e as necessidades básicas ao relento. Ou seja, sem nenhuma privacidade e com exposição total ao Sol, à chuva e à poeira enquanto comiam ou usavam o banheiro.
"Os empregadores precisam se conscientizar e oferecer condições mínimas de trabalho. Em todos os locais, tanto nas frentes de trabalho quanto nos alojamentos, as condições eram bastante precárias", afirmou o procurador do Trabalho Edno Moura.
Os patrões devem indenizar os trabalhadores em até R$ 295 mil: R$ 200 mil em verbas rescisórias aos trabalhadores e R$ 95 mil de danos morais individuais. A reparação por dano moral coletivo ainda está sendo debatida.
Com os 40 trabalhadores encontrados nesta operação, o Piauí chega a 100 pessoas resgatadas de condições análogas a escravidão em 2026. O dado representa aumento significativo em relação aos dois anos anteriores
Metrópoles