Porto Velho (RO)02 de Abril de 202521:21:54
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Rondônia avança na inclusão com Comitê de Saúde para negros

Confira o editorial


A criação do Comitê Estadual de Saúde da População Negra em Rondônia é um passo fundamental para abordar as desigualdades raciais que há muito permeiam o sistema de saúde brasileiro. A implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN) reflete um compromisso com a justiça social, mas exige esforço contínuo para que os objetivos sejam alcançados.

A saúde da população negra é frequentemente impactada por barreiras estruturais e sociais. Dados mostram que há maior prevalência de doenças como hipertensão e diabetes, além de dificuldades no acesso aos serviços de saúde entre esta parcela da população. Reconhecer essas disparidades é essencial, e a criação de um Comitê específico pode promover ações eficazes e direcionadas. Composto por representantes governamentais, movimentos sociais, acadêmicos e lideranças comunitárias, o grupo simboliza um esforço conjunto para transformar a realidade.

No entanto, a iniciativa exige mais do que boas intenções. É preciso garantir que o Comitê não se torne apenas um espaço de discussões, mas sim um agente transformador. A capacitação de profissionais de saúde para um atendimento humanizado e livre de discriminação é primordial. Além disso, campanhas educativas e a coleta de dados desagregados por raça/cor são ações indispensáveis para o planejamento de políticas públicas assertivas.

A participação da sociedade civil e o controle social desempenham papéis determinantes também. As lideranças negras e quilombolas devem ser protagonistas nesse processo, assegurando que as soluções propostas sejam realmente eficazes e adaptadas às demandas locais. O diálogo entre diferentes atores deve ser constante, garantindo que cada decisão seja pautada pela inclusão e equidade.

Por outro lado, é fundamental que o governo estadual mantenha o apoio e o investimento necessários para sustentar as ações do Comitê. O desafio de combater desigualdades raciais na saúde é complexo e demanda recursos financeiros, humanos e tecnológicos. Cortes de orçamento ou falta de prioridade podem comprometer o impacto da iniciativa, transformando-a em uma promessa vazia.

Como sociedade, é nosso dever apoiar e cobrar a efetividade das medidas propostas. Todos os rondonienses têm o direito ao cuidado e ao respeito, independentemente de sua origem ou cor. A saúde não deve ser um privilégio, mas sim um direito universal e inalienável.

A criação do Comitê é um marco, mas também uma oportunidade. O sucesso dessa iniciativa pode servir como exemplo para outros estados e reafirmar a importância de políticas públicas que valorizem a diversidade e promovam a igualdade.

Mas para se atingir esse objetivo, é vital que o Comitê Estadual de Saúde da População Negra mantenha um olhar atento às necessidades emergentes e às especificidades locais, reforçando o compromisso com a diversidade e a inclusão. Esse esforço contínuo não apenas fortalece a cidadania, mas também aponta para um futuro em que a equidade seja um pilar inegociável na construção de uma sociedade mais justa.

Diário da Amazônia

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