Secom
Chegar antes de uma emergência é importante, mas não basta. A implantação de quatro motolâncias no Samu de Porto Velho cria uma alternativa para reduzir o tempo até os primeiros cuidados, sobretudo em ocorrências nas quais trânsito, distância ou dificuldade de acesso podem atrasar uma ambulância. O ganho potencial é claro, mas seu resultado dependerá da forma como o serviço será integrado à estrutura já existente.
Existe uma vantagem operacional difícil de ignorar. Uma motocicleta consegue atravessar determinados pontos com mais facilidade e colocar profissionais diante do paciente enquanto a ambulância ainda está em deslocamento. Em situações críticas, minutos podem fazer diferença. Iniciar procedimentos antes da chegada da unidade terrestre pode melhorar a sequência do atendimento e permitir que decisões sejam tomadas com mais rapidez.
Também é preciso evitar uma expectativa que o novo serviço não pode cumprir. Motolância não é ambulância e não substitui a unidade responsável pelo transporte. Sua função é complementar o atendimento. Por isso, a eficiência dependerá da articulação entre motociclistas, profissionais de enfermagem, equipes das ambulâncias e Central de Regulação Médica de Urgência. Uma etapa mal coordenada pode reduzir parte do benefício esperado.
Outro ponto merece atenção: a operação começará durante o dia, com quatro servidores por plantão. Essa limitação precisa ser considerada na avaliação do serviço. Emergências não seguem horário comercial. Embora a implantação inicial permita testar o modelo e organizar as equipes, será necessário observar a demanda e os horários das ocorrências para verificar se a cobertura oferecida corresponde às necessidades da capital.
Também pesa a preparação dos profissionais. Cinquenta e dois servidores participaram da capacitação promovida por Semusa e Detran, e 28 foram considerados aptos para atuar nas motolâncias. O treinamento é condição indispensável, mas a experiência prática será igualmente relevante para medir o funcionamento do modelo em situações reais.
Houve investimento de R$ 244,8 mil na compra das quatro motocicletas e dos equipamentos. O valor, por si só, não determina se a política será eficiente. A medida precisará ser acompanhada por indicadores que permitam saber quanto tempo foi reduzido entre o chamado e o primeiro atendimento, quantas ocorrências receberam esse tipo de suporte e em quais situações a estratégia produziu resultado.
Porto Velho ganha, portanto, uma ferramenta adicional para o atendimento de urgência. O desafio agora é transformar velocidade em eficiência. Para isso, será preciso acompanhar os resultados, corrigir falhas e avaliar se a estrutura montada consegue responder à realidade dos chamados. Em serviço de emergência, chegar primeiro importa. Chegar preparado, coordenado e com capacidade de dar continuidade ao atendimento importa tanto quanto.
Diário da Amazônia