O preço do limão-tahiti registrou forte valorização no mercado paulista em 2026, após um período de dificuldades enfrentadas por produtores rurais. Em agosto, a caixa de 27,2 quilos atingiu média de R$ 103,57, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.
O valor representa um aumento de 222,65% em relação a junho, quando a mesma quantidade da fruta era comercializada por uma média de R$ 32,10. A redução da oferta durante a entressafra, aliada à demanda aquecida, contribuiu para a alta.
O cenário contrasta com abril de 2025, quando citricultores de Itajobi, no interior de São Paulo, enfrentavam dificuldades para vender a produção por valores suficientes para cobrir os custos de cultivo.
Entressafra impulsiona valorização do limão
A diminuição da quantidade de frutos disponíveis no mercado está entre os principais fatores que explicam a disparada das cotações.
Conforme levantamento do Hortifrúti/Cepea divulgado em agosto, a caixa de 27,2 quilos passou de R$ 32,10 em junho para R$ 55,60 em julho. Em agosto, o valor médio chegou a R$ 103,57.
Na última semana daquele mês, entre os dias 24 e 28, a cotação semanal alcançou R$ 116,18 por caixa.
Os valores mostram a intensidade da valorização durante o período, mas correspondem a datas específicas e não representam necessariamente os preços praticados em outubro.
A produção do limão-tahiti varia ao longo do ano. Durante a safra, o aumento da oferta pode pressionar as cotações. Já na entressafra, a disponibilidade menor tende a favorecer a elevação dos preços, especialmente quando a procura permanece aquecida.
Produtores enfrentaram dificuldades em 2025
Antes da alta registrada em 2026, agricultores paulistas passaram por um período de preços reduzidos. Em abril de 2025, produtores de Itajobi relataram dificuldades para equilibrar as despesas das propriedades com a receita obtida pela venda da fruta.
Na época, os valores variavam conforme o destino da produção. Caixas destinadas à exportação eram comercializadas por cerca de R$ 25, enquanto as voltadas ao mercado interno custavam aproximadamente R$ 18. Para a indústria, o preço informado era de R$ 14 por caixa.
Esses valores foram relatados por produtores naquele período e não representam uma média geral do estado.
Entre os custos que pesam sobre a atividade estão a compra de fertilizantes, os defensivos agrícolas, a mão de obra, o combustível, o transporte e a manutenção dos pomares.
A diferença entre os períodos evidencia como as oscilações de mercado podem afetar a rentabilidade dos agricultores, tanto quando os preços estão baixos quanto diante dos custos necessários para manter a produção.
Qualidade dos frutos influencia o valor de venda
O preço recebido pelo produtor também depende das características do limão colhido. Tamanho, coloração, aparência da casca e condições de conservação influenciam a classificação e o destino comercial da fruta.
Os frutos que atendem aos padrões exigidos por compradores internacionais podem ser direcionados à exportação. Outros abastecem o mercado interno ou seguem para a indústria de processamento.
Por isso, a valorização das cotações não significa que toda a produção será comercializada pelo mesmo preço.
As condições climáticas e o manejo das lavouras também podem interferir na qualidade e na quantidade de frutos disponíveis para venda.
Exportações crescem em receita mesmo com queda no volume
O mercado internacional também contribui para a dinâmica da citricultura brasileira. Dados do Comex Stat compilados pelo Hortifrúti/Cepea mostram que o país exportou 131,3 mil toneladas de limões e limas entre janeiro e julho de 2026.
O volume foi 1,7% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. Apesar da redução na quantidade embarcada, a receita das exportações cresceu 3,1%, chegando a US$ 129,6 milhões.
Os números abrangem diferentes tipos de limões e limas, não apenas o tahiti. O resultado indica que o aumento da receita ocorreu mesmo com a redução do volume comercializado no exterior.
Citricultura paulista movimenta empregos
São Paulo tem participação importante na cadeia citrícola brasileira, que envolve produção rural, colheita, transporte, beneficiamento e comercialização.
Na safra 2025/2026, o setor registrou 51.711 admissões no país, alta de 4,2% em comparação com a temporada anterior, conforme dados da CitrusBR compilados a partir do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
O estado paulista concentrou 37.308 contratações, equivalentes a 72% do total registrado no período. Os dados abrangem a cadeia citrícola e não se restringem à produção de limão-tahiti.
Alta no campo significa aumento no supermercado?
A valorização registrada no mercado produtor pode influenciar os preços pagos pelos consumidores, mas o repasse não acontece necessariamente na mesma proporção.
Entre a colheita e a venda ao público, existem custos com seleção, armazenamento, transporte, distribuição e comercialização. A oferta disponível em cada região e as condições de negociação também interferem no preço final.
Assim, a alta de 222,65% registrada entre junho e agosto não significa que o limão-tahiti tenha ficado automaticamente 222% mais caro nos supermercados.
Perspectiva depende da oferta e da demanda
O comportamento dos preços nos próximos meses dependerá da disponibilidade de frutos, da qualidade da produção e do ritmo das compras no mercado interno e externo.
Em agosto, análises do Hortifrúti/Cepea apontavam a possibilidade de recuperação da oferta em setembro e outubro, embora o desempenho de algumas floradas estivesse abaixo do esperado.
Os dados apresentados confirmam a forte valorização registrada até agosto, mas não permitem determinar a cotação atual de outubro nem garantir a continuidade da alta.
Para os produtores, o desafio é administrar os custos e aproveitar as oportunidades de comercialização. Já para os consumidores, as oscilações reforçam a influência da sazonalidade sobre o preço das frutas.
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