O tio de Samylle Valentina Borba Ramiro, de 4 anos, foi preso preventivamente na manhã desta quinta-feira (20), em Porto Alegre (RS). Nicolas Gabriel Almeida Staubus, de 22 anos, é o principal suspeito da morte da menina, que foi levada a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) já sem vida na segunda-feira (17).
O atestado de óbito apontou politraumatismo como causa da morte. Segundo a Polícia Civil, Samylle morava com os tios havia pelo menos dois meses. No dia da morte, foram eles que levaram a criança até a UPA Bom Jesus, na Zona Leste da capital. Quando os policiais chegaram à unidade, o tio havia fugido.
A menina chegou à UPA durante a madrugada, já sem vida e com manchas roxas pelo corpo. Os médicos identificaram sinais de violência e acionaram a polícia.
A mãe de Samylle prestou depoimento na quarta-feira (19). Segundo a polícia, ela informou que não via a filha havia pelo menos dois meses e que não mantinha contato com a criança nem por videochamadas.
A defesa da mãe afirma que ela era impedida pelos tios de visitar a filha e até mesmo de falar com ela por telefone. Por causa do segredo de Justiça, detalhes sobre a situação da guarda não foram divulgados.
A tia da menina já foi ouvida pelos investigadores e, até o momento, é considerada testemunha. A Justiça também autorizou a extração de dados de um celular apreendido na casa onde Samylle morava. A polícia considera o conteúdo importante para entender as circunstâncias da morte.
Menina apresentava sinais de agressão
Segundo a delegada responsável pelo caso, profissionais da UPA identificaram marcas de agressões no corpo da criança e relataram suspeita de violência sexual devido ao tipo das lesões.
Um laudo definitivo do Instituto-Geral de Perícias (IGP) ainda é aguardado. Um exame preliminar apontou que a menina morreu em decorrência de múltiplas lesões pelo corpo.
Criança era acompanhada pelo Conselho Tutelar
Samylle e a irmã, de 9 anos, passaram a ser acompanhadas pelo Conselho Tutelar em abril de 2025, após denúncias de abuso sexual envolvendo o pai da menina e a meia-irmã dela.
Na época, as duas foram encaminhadas para a casa dos avós maternos. Em outubro de 2025, a guarda de Samylle voltou para a mãe.
Em julho deste ano, a tia informou ao Conselho Tutelar que a menina estaria sem os cuidados adequados da mãe. Ela recebeu um termo de responsabilidade e buscava obter a guarda definitiva da sobrinha na Justiça. Poucos dias antes da morte, havia procurado a Defensoria Pública para tratar do assunto.
Os avós maternos também foram ouvidos pela polícia. Segundo eles, Samylle apresentava ferimentos quando esteve com a família no Dia dos Pais. Na ocasião, os familiares teriam recebido a informação de que as lesões eram consequência de uma queda.
A investigação continua para esclarecer as circunstâncias da morte e identificar eventuais responsáveis.
G1 Rio Grande do Sul